Indicações e contraindicações no uso dos pilares protéticos e o pilar calcinável (Ucla)

 

A previsibilidade do tratamento com implantes osseointegrados tem gerado uma quantidade considerável de pesquisas e de investimentos com a finalidade de se obter restaurações mais duráveis. Em adição, o desenvolvimento da superfície dos implantes, de protocolos cirúrgicos, e componentes protéticos têm ajudado a prover os profissionais com um verdadeiro arsenal, que auxilia no planejamento, na instalação e na restauração da dentição ausente.

 

 

A morfologia da conexão protética e o desenho influenciam diretamente a remodelação óssea, e um elevado valor de tensão pode acarretar diversas consequências indesejadas tais como: perda do parafuso de fixação, fratura do parafuso de fixação, ou do próprio implante, assim como de outras estruturas do sistema , além das possíveis complicações biológicas, como mucosites, perimplantites, perda óssea marginal e perda da osseointegração (SHIN, Y.K.et al.2006).

As cargas verticais tenderam a concentrar forças no ápice dos implantes e as cargas laterais resultaram em elevada tensão na crista óssea. A melhor forma de minimizar tensões na crista do rebordo foi a elaboração de uma relação cúspide fossa e redução das inclinações das vertentes cuspídeas para minimizar a área de impacto.

O pilar intermediário é o componente que fará a ligação entre a conexão protética do implante e a coroa protética e será retido por parafuso junto ao implante ou por meio de retenção friccional, que não requer o uso de parafusos para a sua fixação.

O pilar UCLA (Universal Castable Long Abutment) foi desenvolvido em 1988 por Lewis e colaboradores, que propuseram uma alternativa para os pilares intermediários pré-fabricados existentes da época, desenvolvidos para próteses sobre implantes parciais ou múltiplas e nas situações clínicas com espaço interoclusal restrito. O pilar Ucla, então, é indicado para espaços interoclusais reduzidos, distâncias mesiodistais diminuídas e implantes mal-posicionados, tanto em casos unitários com o uso do sistema AR (antirotacional), quanto em casos múltiplos sem o dispositivo AR. Viu-se também ser prudente o uso de Uclas calcináveis com bases em co/cro, evitando gaps nas interfaces causadas por uma fundição deficiente. Portanto, este tipo de pilar intermediário conectado diretamente sobre a plataforma dos implantes poderá gerar tensões deletérias que afetarão o desempenho do implante e da prótese sobre implante.

Os implantes restaurados com próteses parafusadas diretamente nos implantes geram stress sobre o parafuso e o terço cervical dos implantes, podendo causar rupturas nos parafusos e nos implantes.

Telles e Coelho (2006) descreveram a necessidade de restringir o uso do abutment Ucla em próteses aparafusadas com cant levers ou grandes demandas funcionais. Para estes casos é mais seguro o uso de intermediários específicos para próteses aparafusadas, evitando, assim, a fratura dos parafusos e dos implantes.

Além de conhecer o tipo de prótese (fixa ou removível, unitária ou múltipla, cimentada ou parafusada), o local no rebordo ósseo aonde será reabilitado (anterior ou posterior, arco total ou parcial), o planejamento reverso se faz necessário para definir a eleição do pilar protético através:

- da plataforma protética do implante H.E., H.I., Cone Morse e seus diâmetros;

- do espaço interoclusal;

- da altura da margem gengival, seu transmucoso e sua cinta protética;

- do biotipo periodontal (espesso ou delgado).

A Microplant fabrica todos os pilares necessários para todas as plataformas (H.E., H.I., Cone Morse) e seus diâmetros, e sugere que o uso, quando possível, de um pilar protético intermediário como os MicroUnits nos protocolos, overdentures ou prótese múltiplas parafusadas.

Os estheticones, miniestheticones, pilares CM (G.T.) são indicados para próteses unitárias e parafusadas.

Os munhões universais, também conhecidos como pilar de preparo, terão uma distribuição de forças mastigatórias dissipadas sobre os pilares, diminuindo assim o stress sobre os parafusos de fixação dando maior longevidade às próteses confeccionadas sobre implantes.  

 

Dr. Geraldo Paglia

Consultor Científico da Microplant

Especialista, Mestre e Doutor em Implantodontia